Dissertação
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A IMAGEM RELAMPEJANTE DE MURILO MENDES:

o singular-plural surrealista à brasileira

 

Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da Literatura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGCL/UFRJ), como quesito para a obtenção do Título de Mestre em Ciência da Literatura (Teoria Literária).

Orientadora:

       Prof.ª Dra. Vera Lúcia de Oliveira Lins.

Banca avaliadora: 

       Prof. Dr. Eduardo Mattos Portella – UFRJ


       Prof. Dr. Júlio Castañon Guimarães – FCRB/RJ


       Prof. Dr. Marcelo Diniz Martins – UFRJ (Suplente)


       Prof. Dr. Eduardo dos Santos Coelho – UFRJ (Suplente).

RESUMO

Esta dissertação aborda a imagem na obra de Murilo Mendes (1901 – 1975) a partir de quatro perspectivas: a ironia, a música, o surrealismo e a crítica de artes plásticas. A intenção é sugerir como em cada um dos quatro âmbitos há uma marca singular muriliana que foge de todas as ortodoxias e como esses planos se amalgamam num projeto poético de alçada plural e universal. A ironia (especialmente do livro Poemas) é pensada para além das amarras modernistas, sob forte carga polifônica, e numa tensão dialética não hegeliana. Quanto ao surrealismo "à brasileira" (com enfoque em O visionário), como o próprio poeta o definiu, é visto como um projeto ímpar da inteligência e da sensibilidade muriliana, em que arte e vida não se dissociam. A música (partindo de Formação de discoteca), tão pouco estudada pela crítica, traz, sobretudo, o dodecafonismo de Schoenberg, as inovações de Debussy, de Stravinsky, o diálogo do jazz com a tradição e a grande paixão musical de Murilo, o gênio Mozart. A intenção é pensar como o apuro musical do poeta se apresenta nos seus versos e como ele parte de uma poética mais "derramada" para chegar à fase dos versos "enxutos". Por fim, a crítica de artes plásticas (sobretudo os livros Retratos-Relâmpago e A invenção do finito), numa escrita poética, ensaística, faz se imbricarem a ironia, o surrealismo e a música, formando uma crítica que não sentencia verdades sobre as obras, mas que dialoga com elas por via da imagem.